A vida não é feita de poesia
Poesia escrita - PAF! - tira

Os da arte ou da sensibilidade por puro costume errôneo acabam vendo a vida como pura poesia.
Não estilos, não a escrita, não a transposição para a letra. São as borboletas, as gotas caindo, o sorriso nascendo, as flores crescendo, os mendigos comendo e o rosa do cimento.
A vida não é poesia, não é pintura, não é filme. Felizes dos que nasceram com o dom da imagem ou a felicidade das telas, a poesia da lembrança será inconfundível e inevitável ao ver os traços certeiros e os enquadramentos corretamente iluminados.

Houve os doidos que desde que o mundo aprendeu a escrever resolveram fornicar as representações, jogar toda a moeda no ventilador e crer que tudo é belo - mesmo os malucos do mal, mesmo a beleza do suicídio de Van Gogh, o belo amor sôfrego dos poetinhas suicidas, a beleza da perversão de Sade - não é belo, mas enfeita. È tudo enfeitado.

Cara feia, corpo bom, corpo ruim, cara bonita, cara ruim roupas boas, roupas ruins, cabeça feita, cabeça ruim, é bonito, não é bonito, coitado.
O olho cansa o cu. Pimenta no ouvido dos outros é chuteira.
Morrer. Nada. Assim. Ponto. Fim.
Uma moto, não. Uma maldita, não. Uma curva, não. Um chafariz, não.
A vida não é feita de poesia. Não pra ficar procurando ela. O filme é filme, poesia é poesia.
Vida é vida.

E nosso ma(p)ior peso termos que vive-la.